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Sunday, March 3, 2024

Xuxa period a Barbie do Brasil. Será que foi um erro?


Milhões de brasileiros cresceram assistindo-a na televisão. Seus reveals lotavam os maiores estádios da América Latina. Ela tinha filmes e músicas de sucesso, suas próprias bonecas e seu próprio parque de diversões.

Nos anos 1980 e 1990, Maria da Graça Xuxa Meneghel, conhecida universalmente como Xuxa, foi a maior estrela da televisão brasileira. Gerações de crianças passavam manhãs inteiras assistindo-a brincar, cantar e dançar em seu tremendous well-liked programa de variedades.

Ela foi “a boneca, a babá, a amiga dessas crianças”, disse Xuxa, de 60 anos, em uma abrangente entrevista. “Uma Barbie da época”.

“Ela vinha com um carrinho rosa”, acrescentou. “Eu vinha da nave rosa”.

Assim como a famosa boneca, Xuxa também é branca, magra, loira e de olhos azuis. Em seu programa infantil, ela com frequência usava saias curtas e botas de cano alto ao sair de uma nave espacial decorada com lábios vermelhos gigantes. E, assim como a Barbie, ela se tornou uma ídola para seus fãs, que cresceram querendo ser como a Xuxa e seu elenco de dançarinas adolescentes brancas, as “Paquitas”.

Mas agora o Brasil enfrenta uma espécie de acerto de contas com a Barbie da vida actual — e Xuxa está no centro disso, graças, em parte, a uma nova série documental sobre sua vida que se tornou uma sensação nacional e levantou questões sobre diversidade, padrões de beleza e sexualização em seu present.

Muitos, incluindo a própria Xuxa, questionam se o ultimate limitado que ela representava period uma influência positiva no Brasil, país com uma população majoritariamente negra e que enfrenta um debate nacional sobre o que é considerado belo e quem foi apagado da cultura well-liked.

“Eu não by way of como errado. Hoje a gente sabe que é errado, né?”, disse Xuxa sobre o padrão de beleza que ela retratava para a juventude brasileira.

Durante seu reinado, que coincidiu com a expansão econômica do Brasil, as taxas de cirurgia plástica dispararam para as mais altas do mundo, com muitas pessoas se submetendo a ela ainda na adolescência. Mas o Brasil e seus guardiões da cultura agora adotam novas definições de beleza, que celebram cabelos cacheados e crespos, corpos curvilíneos e tons de pele negros.

A falta de rostos negros nos programas da Xuxa “gerou feridas profundas em parte das mulheres desse Brasil”, disse Luiza Brasil, que escreveu um livro sobre racismo na cultura, moda e beleza brasileiras.

Na série documental, Xuxa transferiu a culpa pelas falhas do programa a sua antiga chefe e à cultura da época. Mas em sua entrevista ao The New York Occasions, Xuxa assumiu mais responsabilidades e lamentou a marca que ele pode ter deixado nos jovens espectadores que não se pareciam com ela. “Nossa, que trauma eu botei na cabeça de algumas crianças”, disse ela.

Ela disse não ter tomado as decisões. “Mas eu endossei. Eu assinei embaixo”, acrescentou.

Quando a Xuxa, aos 23 anos, ganhou seu programa infantil em 1986, transmitido em rede nacional, seis manhãs por semana, ela se tornou um sucesso instantâneo e esmagador. Seu programa reunia cerca de 200 crianças em um palco colorido e agitado que trazia números musicais, competições e mascotes em tamanho humano, como um mosquito chamado Dengue.

A TV “period uma caixinha mágica”, disse Xuxa. “Eu fiz parte dessa magia”.

Como estrela da maior rede de TV do Brasil, a Globo, Xuxa se tornou um dos rostos mais conhecidos do país e foi apelidada de “A Rainha dos Baixinhos”.

“Period muita gente vendo a mesma coisa”, disse Clarice Greco, professora da Universidade Paulista que estuda a cultura pop brasileira. “A Xuxa virou uma franquia”.

Xuxa se expandiu para a música e o cinema, vendendo mais de 26 milhões de discos e quase 30 milhões de ingressos no cinema, quebrando recordes de bilheteria no Brasil. E as crianças clamavam por revistas em quadrinhos, roupas e bonecas da Xuxa, que tinha uma semelhança impressionante com outra loira de plástico.

“Ficava todo mundo hipnotizado com ela,” disse Ana Paula Guimarães, que derrotou milhares de meninas para se tornar uma Paquita.

Depois de conquistar o Brasil, Xuxa aprendeu espanhol e começou a gravar programas em Buenos Aires e Barcelona. No início da década de 1990, dezenas de milhões de crianças assistiam a seus programas em português e espanhol. Um jornal francês a listou como uma das mulheres mais influentes do mundo, ao lado de Margaret Thatcher. E ela teve uma sequência de encontros amorosos com famosos, incluindo Pelé e John F. Kennedy Jr.

Em 1993, Xuxa tentou fazer um programa em inglês para conquistar o mercado americano, mas ela disse que suas dificuldades com o idioma e sua intensa agenda levaram o programa a fracassar.

Embora grande parte de seu público fosse negro e latino, Xuxa period descendente de imigrantes italianos, poloneses e alemães, tendo uma impressionante semelhança com as princesas e bonecas que inundavam a cultura well-liked na década de 1980.

Xuxa disse ter vindo “branca, loira, grande, perna comprida”. E acrescentou: “acredito, então, que talvez seja por isso que eu tenha dado muito, muito certo naquela época”.

Nem todos eram fãs. Alguns reclamavam que Xuxa period muito sexualizada para servir de modelo às crianças. Antes do programa infantil, ela havia posado para a Playboy. E acadêmicos e ativistas negros já questionavam a falta de diversidade de seu programa quando ele se tornou um sucesso, inclusive em um artigo do New York Occasions de 1990.

Nos últimos anos, a web dissecou os piores momentos de Xuxa, como dizer que seus telespectadores preferiam Paquitas loiras, usar um cocar indígena e dizer a uma garota que ela perdeu um concurso em seu programa porque comia “muita batata frita”.

Xuxa disse se arrepender de tais comentários, mas acrescenta que o maior problema eram os padrões da época. “Nos anos 80, você não pegava uma novela em que a empregada não fosse negra”, disse ela.

“A culpa não é do Xou da Xuxa”, acrescentou. “É a culpa de tudo que period passado para a gente como regular”.

Xuxa disse que também foi submetida a ideais de beleza cruéis. “Desde pequena eu period vista como pedaço de carne”, disse ela. Ela foi orientada a perder peso, forçada a fazer cirurgia plástica e impedida de cortar o cabelo. “Boneca tem que ter cabelo comprido”, ela ouvia.

Quando se tornou mãe, ela cortou o cabelo como forma de protesto. “Não quero mais ser boneca”, disse ela, exibindo o corte curto e platinado que mantém há anos.

Xuxa nunca se viu como feminista, mas mesmo assim se tornou símbolo de empoderamento feminino. Em seu programa, comandado por uma mulher, Xuxa dizia às meninas que elas podiam alcançar o que quisessem. E gerenciou um império multimilionário enquanto criava uma filha como mãe solteira. “Nunca pensei em casar, nunca busquei meu Ken”, disse ela.

Quando Xuxa alcançou a fama, ela se tornou uma ativista por acidente.

Ela amava os animais e por isso falava sobre os direitos dos animais em seu programa. Ela aprendeu a linguagem de sinais para poder se comunicar com os espectadores surdos. E usando figurinos que evocavam a cultura drag, ela se tornou uma ídola na comunidade LGBTQ.

Agora, após décadas sob os holofotes, ela disse entender melhor a influência que exerce e tenta promover avanços para a representatividade, contra o racismo e os padrões de beleza.

“Comecei a levantar bandeiras sem necessariamente saber que aquilo period uma bandeira”, disse ela. “Hoje eu quero muito”.

Na semana passada, em um evento beneficente transmitido ao vivo nacionalmente, Xuxa subiu a um palco iluminado com suas duas sucessoras loiras da televisão infantil brasileira. As três mulheres cantaram as músicas que ensinaram a milhões de brasileiros em sua infância. Atrás delas, cerca de uma dúzia de dançarinos negros rodopiavam e saltavam em um mesmo ritmo.

A apresentação parecia ser uma demonstração de inclusão racial. Mas, na web, a reação foi rápida, uma vez que muitos interpretaram o encontro como uma celebração do embranquecimento da cultura pop brasileira.

“Essas mulheres ainda são enaltecidas como o idealizável”, disse Brasil, que é negra e escreve sobre racismo. “E a gente ali, em um lugar à margem do que é essa beleza branca, loira, quase infantil, que nos machucou e nos flagelou por muito tempo”.

Nos últimos anos, a televisão brasileira deu grandes passos em direção a uma maior diversidade. Os protagonistas das três principais novelas brasileiras agora são atores negros, e mais programas de notícias e política são apresentados por apresentadores negros.

Xuxa disse que o debate sobre seu impacto lhe ensinou muito sobre si mesma e sobre a sociedade. Para a apresentadora, apenas se aprende o certo “quando a gente vê que está no caminho errado”, disse ela. “Então acho que tive que passar por coisas para poder chegar aqui”.

Jack Nicas contribuiu com a reportagem do Rio de Janeiro.

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